Autorais, Textos

Meu Coração Ansioso III

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Mais uma madrugada ansiosa. Especialmente estes dias, não estou me sentindo tão bem quanto aos outros (…). Sick and tired at all.

Como ponto de partida de hoje irei para o novo blog de Katie Joy, no qual ela passa a abordar uma nova etapa de vida em sua batalha contra a depressão e a ansiedade. Assim como ela, estou no ponto de partida da mesma busca.

 

COMO COMEÇAR

Em seus primeiros posts, “How the Hell to Start (Part I)” e “How the Hell to Start (Part II)”, ela começa a falar sobre o descobrimento de uma medicina funcional que nem ela mesma sabia existir (nem eu). Katie cita 3 etapas para dar início e encontrar o equilíbrio:

1. Trabalhe o bem-estar funcional: nutrição, hormônios, sistema nervoso, desintoxicação e vida fitness, família, amigos, finança, campo (carreira) e diversão.

2. Identifique as áreas que está lutando e simplesmente escolha uma coisa de cada para começar a mudar e se concentrar nela.

3. Faça esforços diários para mudar. Dê pequenos passos para curar e alinhar essas 7 áreas do bem-estar funcional.

“Comecei com a necessidade de mudar. Acho que é aí que todos começamos quando procuramos algo. Minha ansiedade me impediu de viver e eu tinha que sair dela. Eu tinha que encontrar uma resposta. Comecei encontrando um médico que escute, mas sei que nem todos têm essa opção”.

Ultimamente tenho enxergado exatamente como ela. É incrível como nossas histórias são parecidas. Há mais ou menos 2 anos atrás, também me vi em uma completa confusão mental entre depressão e ansiedade. Hoje, estamos ao mesmo tempo tentando lidar e combater estes mesmos sintomas. Quando você olha para o que você vem descobrindo ao longo do tempo para tentar sair da zona de sufocamento em que você se encontra, isso se torna gratificante e grandioso. O importante é traçar um começo. Mesmo que ele pareça impossível ou que não vá adiantar de nada e, mesmo que, às vezes, você sinta vontade de largar tudo e simplesmente deitar na cama e dormir o dia todo.

 

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QUAL É O MEU PONTO?

Acredito que este post seja o mais feliz de Katie desde a sua vontade por mudança. Em “What’s my point?”, ela diz que durante sua busca pela cura da ansiedade, ela descobriu um padrão de alimentação desordenada. Ela teve que se livrar de vícios e descobriu que tinha que limpar a ansiedade para entender uma questão mais profunda: a comida.

“O meu aspecto vai parecer muito diferente do seu. Mas eu quero que você sinta que não está sozinho em sua jornada, seja qual for a sua. Só sei que tudo na minha vida me levou até aqui. Tudo na minha vida está conectado. A ansiedade, o comer, a dor, o fracasso, o sucesso, o amor, a quebra, a raiva, a paixão, a beleza, o mundano – está me levando a algo maior”.

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VOCÊ ESTÁ AÍ, MOTIVAÇÃO?

“Are you there, motivation?”. Este foi o post no qual mais me identifiquei e que conseguiu me tirar algumas boas risadas ao final.

“A depressão drena qualquer esperança de motivação. A motivação é uma coisa inconstante. Se você sintonizou o meu último blog, você lembrará de como eu falei sobre ter que viver a vida por comportamentos em vez de sentimentos. Motivação é a definição de um sentimento. Esperei anos para me sentir motivada. O problema que tive com a palavra ‘motivação’ é que eu a fiz sinônimo de ser produtiva. Ocorreu-me apenas que, enquanto eu tiver algum tipo de energia (o que é novo para mim por si só), posso ser produtiva”.

“A doença mental me pegou no começo. A ansiedade + depressão eram praticamente meus outros significados para a maioria da minha vida. Eu estava em um relacionamento polígamo com esses dois. Terminei com eles no início deste ano e é difícil esquecer os seus exs. Às vezes, eles se aproximam com uma mensagem ou um olhar. Eles podem te agarrar. Eles atuam em sincronia”.

“A depressão sempre roubou minha motivação e me fez acreditar que se eu não me sentisse motivada, precisava apenas sentar e esperar. Isso alimenta a depressão. A única vez que senti motivação, ela estava mascarada como desespero. Desesperada em me sentir melhor, desesperada por cumprir um prazo, desesperada por não parecer uma tola na frente dos outros, desesperada em fingir que não vivi a vida que vivi. Considerando que a ansiedade sempre me fazia ter medo do fracasso significa que eu nunca realmente tentei de verdade. Em janeiro deste ano, eu finalmente me comprometo a deixar minha terrível relação com depressão e ansiedade e descobrir quem eu realmente era sem elas”.

Wow! O que eu acabei de ler? Alguém pode me dizer como somos tão parecidas em pensamentos? Acho que nem preciso dizer mais que nunca tentei nada de verdade na minha vida pelo simples medo do fracasso ou me sentir desesperada em ter que mostrar motivação ou não ter que me sentir inútil perante aos outros ao mostrar uma vida que eu nunca tive ou tenho? Ah, ufa! Obrigada.

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Acordando com o time depressão e ansiedade. Ah, essas duas…

Hahaha, adorei a comparação da bigamia e o quanto é difícil esquecer os exs. Eu simplesmente me identifico muito com o seu modo de escrever e enxergar as coisas.

“No entanto, depois de tudo, isso não significa que meus exs não permaneçam nos lados mais sombrios da minha mente. A doença mental é algo em que vou lutar pela minha vida inteira. Tenho esperança de saber como não só lidar, mas prosperar. E mesmo que eu confie em que nunca mais terei que ver essas idiotas (ansiedade + depressão) de novo, eu ainda mantenho a guarda e me pergunto se a motivação permanecerá”.

 

VOCÊ TEM QUE CONSERTAR O CANO VAZANDO

No post “You Have to Fix the Leaking Pipe”, Katie fala sobre comportamentos.

“Não importa o quão difícil, como exasperante e como é aparentemente impossível, você tem que mudar de comportamento primeiro. É a sua função manual. Isso está corrigindo o cano vazando. Qual é o seu vício? O que a sua depressão lhe diz para fazer? Minha cabeça me diz: ‘Ei, você está acordada. Você precisa se levantar. Eu sei que você não quer, mas quanto mais você permanecer aqui, pior você sentirá. Ei, você precisa se alimentar, tomar banho e fazer as coisas”.

“Os sentimentos são inconstantes. Não podemos agir sobre os sentimentos, temos de agir sobre comportamentos. Tome uma decisão de fazer algo que você conhece, mesmo que não sinta vontade”.

O que me faz sair da cama? O que vai me fazer ocupar meu tempo ou preencher minha mente? Ultimamente é tão difícil de encontrar uma resposta para tudo isso, mas estou em busca disso. O que me satisfaz no momento é estar com meus filhos peludos e escrever.

 

 

 

OUTRO PONTO DE VISTA

Eu simplesmente fiquei maravilhada ao ler o nome de Jesus neste post, “He Gets a Bad Rap”, estando relacionado como um meio de ajuda para ansiedade. Antes ou após despejar minhas lágrimas em desespero, a primeira coisa que sempre faço quando começo a me sentir deprimida ou ansiosa é falar com o meu Pai. Na maioria das vezes peço para Ele ficar comigo para eu não me sentir sozinha. Essa conversa sempre dura bastante tempo e gera uma confusão enorme em minha cabeça a respeito das coisas que faço achando serem boas para a minha melhora e sobre os meus sentimentos, nos quais Ele já conhece muito bem.

Você sempre vai sentir um toque de Sua presença após cada oração em que fizer quando estiver passando por algum momento de sua vida que coloque à prova tudo o que você conversou ou questionou a Deus. Ele é o único que conhece o seu coração e vai estar com você nos momentos mais felizes e tristes de sua vida, sorrindo ou chorando junto com você. Comemorar uma etapa cumprida com muito esforço quando vocês dois já haviam conversado sobre isso antes. Te acalmar em algum momento de desespero e ansiedade extrema, sempre te mostrando a melhor forma de entender o por quê daquilo estar acontecendo e como isso irá se resolver da melhor maneira. Te confortar e sentir junto com você a sua dor quando ela for mais forte do que palavras e não houver outras formas de explicar, mas Ele sempre saberá entendê-la.

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Jesus estendeu imediatamente a mão, segurou-o e lhe disse: “Homem de pequena fé, por que duvidaste?” Mateus 14:31.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Assim como Katie Joy, a depressão junto com a ansiedade me impediu e ainda me impede de viver muitas coisas. É difícil tomar uma decisão, mesmo que ela pareça a mais simples. É difícil enfrentar a mudança e deixar a zona de conforto. É difícil admitir que é preciso continuar a seguir em frente depois de um dia esmagador. É difícil encarar e enfrentar os seus mais obscuros e secretos medos. É difícil amar a si mesma ou permitir-se ser amada ao mesmo tempo. É difícil manter uma estabilidade de humor ou sono. É difícil controlar os pensamentos negativos contra os positivos. É difícil simplesmente parar de pensar 24 horas na mesma coisa todos os dias.

O primeiro sinal de que queremos sair desesperadamente desta situação se chama consciência, mesmo quando perdemos a sanidade na montanha russa da nossa própria bipolaridade, tentando lidar com cada sentimento que nos rouba um pouco de nós mesmos. A doença mental não define o que você é. Isto é apenas uma parte de você, mas essa não é a sua identidade. Há muitas qualidades e coisas únicas que te fazem ser quem você é. Isso eu fui aprendendo com o tempo. Eu achava que ninguém gostaria de mim neste estado, já que nem eu mesma gostava de mim. Caminhe comigo e nós descobriremos para onde vamos depois.

Quando tenho alguma crise de depressão nos dias atuais, eu tenho vontade de chorar, gritar e destruir tudo ao meu redor. Estes últimos dias parecem vencer os dias bons que consegui com tanto esforço e tudo torna distante de ver o outro lado novamente. Há não tão pouco tempo assim, eu evitava ter estes dias e me mantinha forte e fria o suficiente até para não derramar um lágrima sequer, se não eu estaria deixando o descontrole tomar conta de mim. Sim, eu sou orgulhosa e exigente com os meus próprios sentimentos até quando estou no meu pior dia.

Eu percebi que eu não estava sendo mais assim do jeito que estou me sentindo agora. Para mim, quanto menos insanidade, mais eu conseguia ter o controle da minha mente em relação as inúmeras mudanças psicológicas e exteriores que eu estava prestes a sofrer. Eu não queria deixar o lugar e nem a casa dos meus sonhos para trás, muito menos ter que deixar de viver aquele sonho americano. Eu mal reconhecia o botão do modo automático que eu havia ligado. Eu não podia sofrer ou demonstrar muita coisa, afinal, era assim que as coisas teriam que ser a partir dali e eu só tinha uma coisa a fazer: aceitar. Eu fiquei impressionada com a minha radicalização interior, conseguindo esconder tudo o que eu estava sentindo.

Foi assim que eu saí de Houston, no Texas, e cheguei ao Brasil em janeiro de 2018. Logo após alguns dias eu desabei. Eu já previa que isso aconteceria e que as coisas fugiriam do meu controle. Estes dias já não costumavam ser mais o meu normal, mas agora eles se tornaram reais. Eu percebo que a cada dia em que melhoro em uma coisa, outro dia eu pioro em outra. Mas eu consigo perceber que cada vez que você se aproxima destes dias piores, torna-se mais difícil enxergar tudo o que você já passou, venceu e conseguiu sobreviver até aqui.

 

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