Autorais, Textos

Meu Coração Ansioso II

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 Mais uma madrugada como de costume. Apreciando o silêncio enquanto todos dormem, ouvindo apenas as ondas do mar quebrarem na praia enquanto a porta da varanda está aberta. Not that bad. Ainda estou aqui viva e respirando.

Ainda falando sobre o post anterior, My Anxious Heart, de Katie Joy, este projeto mexeu muito comigo. Relendo o seu antigo blog, há descrições de um misto de sentimentos sobre a ansiedade.

 

DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO

Em seu segundo post, “From the Bottom of My Heart”, Katie diz que criou um projeto para se curar de uma desordem incapacitante que a fez viver sua vida com medo. Ela nunca esperou que isso fosse resolver seus outros tantos medos. O que se tornou claro é como cada pessoa que lida com a ansiedade, geralmente, se sente tão sozinha e sem esperança. Mas ela mesma contradiz o contraditório, desmistificando esse sentimento de solidão. De modo algum você está sozinho.

“Estou tão sobrecarregada, empolgada, abençoada, agradecida, ligeiramente ansiosa e impressionada com a resposta que My Anxious Heart recebeu. Demonstrei minha dor e batalha e isso se transformou em um recurso para os outros. Eu não desejaria esta doença a ninguém, mas sou tão agradecida que as pessoas podem dizer coisas como: ‘Meu pai disse que finalmente conseguiu visualizar o que eu tenho dito todos esses anos’, ‘Eu nunca tive ansiedade, mas você me deu uma melhor compreensão do que minha esposa está lutando diariamente’ ou ‘Eu não me sinto mais sozinho’. Você não está sozinho. Você não está louco. Está tudo bem quando você não consegue simplesmente se acalmar”.

Pessoas com os mesmos tipos de sensações a indagaram em seu blog enchendo-a de perguntas. Esta foi uma das quais mais me chamou a atenção e ela fez questão de abordar o assunto.

P: “Quais são as maneiras pelas quais você lidou com o pânico? Existe algo que eu possa fazer para tornar isso mais fácil com um ente querido?”

R: “Meu objetivo é ajudar cada pessoa a lutar contra esta doença para enfrentar a ansiedade e lidar com ela pela raiz. Eu quero que eles saibam que, como qualquer doença, há uma fonte. Pode não haver uma cura, mas existe maneiras de tratá-la sem apenas adormecer os sintomas. Eu também quero ser capaz de fornecer uma visão para aqueles que nunca experimentaram. Estas são todas as coisas que vou abordar no livro, mas vou publicar um blog dentro da semana que explicará as coisas que fiz para começar a enfrentar minha ansiedade”.

Segundo Katie, para ela e muitas pessoas que sentem ansiedade, esta não foi uma jornada fácil. A vida já tem seus desafios e ser atormentada por seus próprios pensamentos não ajuda de forma alguma. Para alguém ser vulnerável e honesto a ponto de compartilhar suas histórias, isto nos dá encorajamento e apoio. É uma batalha diária para continuar a viver a sua vida o melhor que puder pela liberdade de sua própria mente.

“Estive ansiosa por minha vida inteira. Seu corpo entra em modo avião quando você está ansioso. Toda a minha vida escolhi este modo avião. Minha primeira resposta é GET OUT NOW. Mas quando li todas as respostas, senti essa unidade para lutar pela primeira vez na minha vida. Estou lutando por cada pessoa que se sente sozinha. Estou lutando por aqueles que estão com muito medo de fazer isso sozinhos. Estou lutando por aqueles que não conseguem articular suas dores. E eu estou lutando para acabar com um estigma que criou um obstáculo para alguém falar sobre sua doença mental. Quero acabar com esse estigma de que ‘tudo está na sua cabeça’. Isso ESTÁ na sua cabeça e essa é a parte mais aterrorizante”.

 

PLANOS PARA O FUTURO

Em seu terceiro post, “Prints, Plans for the Future”, Katie fala da resposta positiva que recebeu ao colocar em prática o seu projeto My Anxious Heart. Ela relata que muitas pessoas disseram que não se sentem mais sozinhas e, ter seu encorajamento significou tudo.

“Está sendo algo que eu nunca poderia prever para a minha vida. Eu sou incentivada a saber que a resposta foi principalmente positiva e estamos vivendo em um tempo em que as pessoas estão começando a ver, com clareza, a verdade da doença mental”. 

 

MUITO TEMPO SEM POSTAR

Seu quarto post, “Long Time no Blog”, foi um tanto quanto confuso, misterioso e vago de se entender. Mas acaba fazendo algum sentido para quem tem depressão, uns por um tempo ainda recente, outros por longos anos.

“Anos após anos, depois de lutar constantemente pela lama, a dor e as lágrimas me trouxeram para um lugar de felicidade e autodisciplina que eu nunca poderia ter sonhado há apenas 3 anos. Não desista. Eu não terminei. Não estou curada. Minha depressão e ansiedade ainda atacam e lutam. A ótima notícia é que, enquanto elas estão em paz e silenciosas, estou treinando e me preparando. Eu não vivo todos os dias com preocupação e medo excessivos, mas com preparação e antecipação. Você não é mais fraco do que sua luta. Você não é incapaz de vencê-la. Leve um dia por vez. Volte para trás. Chore, chute e grite. Você é amado e grandioso”.

 

O MEU POR QUÊ

Em seu quinto post, “My Why”, vemos que ela quer chegar ao ponto de seu próprio ‘por quê’ na vida, conjuntamente com sua ansiedade. Como estudante de fotografia, ela começa dizendo que a principal pergunta que se obtém quando você se torna fotógrafa é “Por que você decidiu ser fotógrafa?”. Ela diz que nunca conseguiu responder a esta pergunta e que nunca teria sonhado que a fotografia era onde ela teria terminado.

“Voltando ao meu ‘por quê’: Não pensei que eu precisasse de um motivo. No entanto, no ano passado eu criei um projeto que me fez pensar que eu encontrei meu ‘por quê’. Usei uma fotografia para expressar uma parte de mim que outros poderiam se relacionar. Fiz-me vulnerável às críticas. Ajudei as pessoas e me ajudei. Depois disso, pensei que estava terminado. Eu pensei ter completado o capítulo da minha vida que envolveu uma câmera. Não pensei que fosse minha ‘paixão’. Não senti essa alegria irresistível cada vez que fazia uma imagem. Eu não sentia que era necessário para mim empurrar o quanto eu adorava fotografar famílias, bebês e casamentos quando eu não tinha certeza do que eu fazia”.

Mesmo após as 12 fotos tiradas expressando sua ansiedade, Katie ainda continuava a se sentir guiada pelo medo. Aquele medo que te impede de avançar.

Ela continua dizendo: “Estou começando a entender o equilíbrio entre sabedoria cautelosa e medo irracional. É sabedoria não andar sozinha às 3:30 da manhã. É um medo irracional não deixar a casa durante o dia pelo mesmo motivo. Eu não tinha certeza se começar meu negócio era uma boa idéia. Não sabia se era minha paixão. Eu não tinha certeza se eu seria boa nisso. Não sabia se alguém gostaria do meu trabalho. Principalmente, eu não queria enfrentar clientes e dizer ‘não há nada que me traga mais alegria do que estar com você neste dia’, quando não era verdade. Eu estava assustada. Estou assustada. Eu sou cautelosa. Eu percebi que a minha paixão não é fotografar as pessoas por causa da fotografia. Não tem nada a ver com a possibilidade de vender uma tela de seus filhos com quadros correspondentes. Não tenho vontade de entrar, posar e sair com um pagamento”.

Em continuação, há uma parte interessante e emocionante que chega a nos confrontar. Como uma pessoa totalmente confusa por dentro ainda consegue lidar com um formato tão expressivo e sentimental em registrar momentos em fotos, nos quais estes vão diretamente ao contrário e inerentes a seus próprios sentimentos atuais? Mas ela explica.

“Como isso se aplica ao meu ‘por quê?’. Conheci minha melhor amiga há 10 anos. Nós estivemos uma ao lado da outra. Eu tinha observado como o garoto que entregava pizza a chamou para um encontro. Eu implorei a ela para não ir naquele encontro. Provei a mim mesma estar errada às vezes quando ela se tornou sua noiva, esposa e mãe de seu filho. Tive a honra de documentar esta jornada nos últimos anos. Capturei os olhinhos doces e sutis. Eu capturei a única lágrima. Eu podia olhar suas mãos dadas, as risadas que rapidamente vieram e foram e a vida trazida para o mundo. Por que eu sou fotógrafa?”

Ainda usando as palavras de Katie, ela explica o que a motivou a fotografar. Aqui estão os seus “por quês”:

1. Para que minha melhor amiga possa se lembrar das borboletas que sentiu no estômago quando seu futuro marido lhe disse uma e outra vez o quanto ela significava para ele antes de lhe apresentar um anel.

2. Para que ela possa reviver o rosto de seu filho pela primeira vez sem ser encharcada pelo caos de um hospital e medicamentos contra a dor.

3. Para que ela possa testemunhar os momentos que, geralmente, são tão fugazes, uma e outra vez.

4. Para que ela possa sempre apreciar os marcos que acontecem tão rapidamente.

5. Porque experimento alegria todas as vezes que capturo um momento que nunca será capaz de ser recriado.

6. Porque aquele garotinho não será um bebê para sempre e eu quero capturar o quão maravilhoso ele é verdadeiramente, o quão maravilhoso seus pais realmente são.

7. Porque, embora eu deixe a ansiedade ganhar de vez em quando, isso nunca vai poder tirar as lembranças que fiz, as pessoas que conheci ou as habilidades que aprendi.

8. Eu sou uma fotógrafa porque eu sou.

“Meu ‘por quê’ pode ter sido realizado através de uma melhor amiga que me deu a oportunidade de capturar sua vida. No entanto, o meu ‘por quê’ continuará à medida que cada pessoa nova que conheço me dê essa mesma oportunidade”.

 

Após dois anos, Katie relata em seu antigo blog que tem sido um grande processo até aqui. Ela diz que se sente pronta para compartilhar o que fez para combater a ansiedade e a depressão.

 

CONTINUA…

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