Em meados de 2015, eu ansiava por ver ou ler algo que me prendesse a mente em relação a forma de me sentir quanto a ela. A depressão. Foi quando encontrei, por acaso navegando na internet, fotos e textos da americana Katie Joy Crawford que me chamaram muito a atenção. Ela falava sobre o assunto de uma forma muito simples e acolhedora para mim. Era tudo o que eu precisava ver naquele momento.
Em seu blog pessoal, Katie conta a sua batalha contra a depressão junto com a ansiedade e eu me interessei de uma foma muito grande sobre a vida desta menina. Na época, descobri que ela tinha apenas 23 anos, era estudante de fotografia e morava em Baton Rouge, em Louisiana, época em que eu morava em New Orleans, no mesmo estado que ela. Fui em uma busca por encontrá-la e descobri seu blog e Instagram.
De alguma forma, eu ansiava ter algum tipo de contato, já que morávamos tão perto uma da outra. Essa aproximação não chegou a acontecer de verdade. Vi que ela era noiva e ia se casar, época em que eu era recém-casada e havia acabado de me mudar para os Estados Unidos. Acho que ela estava tentando reestabelecer todas as áreas de sua vida. Enfim, foi uma descoberta legal para mim.
No dia 8 de abril de 2016, My Anxious Heart foi publicado. Na sinopse, estas 12 imagens acompanhadas por escritas pessoais foram a interpretação pessoal de Katie a partir de sua guerra contra a ansiedade. Este livro pode ser usado como um recurso para ajudar outras pessoas a entender a ansiedade e a lidar com ela.

Este livro pode ser adquirido pelo site Amazon por $25.
Frases de Katie:
“Através deste trabalho, eu estou interpretando visualmente minha própria jornada emocional e física para que os outros possam ser capazes de compreender esse peso que tantos carregam em nossa sociedade. Os sintomas físicos da doença, tais como coração acelerado, tonturas e falta de ar, muitas vezes passam desapercebidos ou são mal interpretados por aqueles que nunca sofreram de ansiedade. Embora os sintomas físicos constituem em uma grande parte da desordem, o lado emocional é extremamente difícil de lidar. Ansiedade impede que o doente assuma novos riscos, explore novas idéias e saia de sua zona de conforto.”
“Isso se tornou uma experiência catártica para mim, que levou à cura e autoconhecimento enormes. Quero que aqueles que sofrem sintam que têm uma voz e uma mão para segurar. Não quero que ninguém se sinta sozinho nunca, já que ansiedade e a depressão podem fazer com que a pessoa se isole”.
Abaixo estão as 12 fotos e a descrição de cada uma delas segundo Katie.
“Eles continuam repetindo que eu devo respirar. Posso sentir meu peito se movendo para cima e para baixo. Para cima e para baixo. Para cima e para baixo. Mas por quê sinto como se estivesse sufocando? Coloco a mão debaixo do meu nariz, certificando-me de que há ar. Ainda assim, não consigo respirar”.

“Eu tinha medo de dormir. Eu senti o pânico mais bruto na escuridão plena. Na verdade, escuridão completa não era assustadora. Era o pouco de luz que projetava uma sombra — uma sombra aterrorizante”

“Uma prisioneira de minha própria mente. A instigadora dos meus próprios pensamentos. Quanto mais eu penso, pior fica. Quanto menos eu penso, pior fica. Respire. Apenas respire. Derive. Isso vai aliviar em breve”.

“Cortes tão profundos que parecem que nunca vão se curar. Dor tão real, é quase insuportável. Eu me tornei isso… este corte, essa ferida. Tudo o que sei é a mesma dor, respiração afiada, olhos vazios, com as mãos trêmulas. Se é tão doloroso, por quê deixá-la continuar? A menos que… talvez seja tudo que você saiba”.

“Você foi criada para mim e por mim. Você foi criada para minha reclusão. Você foi criada na defesa venenosa. Você é feita de medo e de mentiras. Medo de promessas não correspondidas e de perder a confiança tão raramente dada. Você foi formando toda a minha vida. Mais forte e mais forte”.

“Não importa o quanto eu resista, sempre estará aqui desesperada para me segurar, me cobrir, me quebrar. Todo dia eu luto contra isso. ‘Você não é boa o suficiente para mim e nunca será’. Mas lá está ela, esperando por mim quando eu acordar e pronta para me segurar enquanto eu durmo. Ela tira o meu fôlego. Ela me deixa sem palavras”.

“Eu tenho medo de viver e eu tenho medo de morrer. Que maneira de existir!”

“É estranho — na boca do seu estômago. É como quando você está nadando e você quer colocar os pés para baixo, mas a água é mais funda do que você pensou. Você não pode tocar o fundo e seu coração pára de bater”.

“Minha cabeça está enchendo com hélio. O foco está desaparecendo. Uma decisão tão pequena para tomar. Uma pergunta tão fácil de responder. Minha mente não está deixando. É como mil circuitos atravessando ao mesmo tempo”.

“Um copo de água não é pesado. É quase sem sentido quando você tem que escolher um. Mas e se você não pudesse esvaziá-lo? E se você tivesse que suportar seu peso por dias, meses, anos? O peso não muda, mas a carga sim. Em um certo ponto, você não consegue se lembrar como a luz costumava parecer. Às vezes, leva tudo em você e fingir que não está lá. E, às vezes, você apenas tem que deixá-lo cair”.

“Sensação de dormência. Que contraditório. Quão apropriado. Você pode realmente se sentir dormente? Ou é a incapacidade de sentir? Estou tão acostumada a me sentir dormente que eu comparo com um sentimento real?”

“Depressão é quando você não consegue sentir nada. Ansiedade é quando você sente tudo demais. Sentir os dois é uma guerra constante dentro da sua mente. Sentir os dois significa nunca ganhar”.
Por fim, guardei aquela história profunda dentro de mim e tentei seguir a vida também com a minha depressão e ansiedade. Depois de alguns anos, ao voltar para o Brasil e deixar os Estados Unidos após 2 anos, ainda continuo enfrentando essas mesmas doenças, porém de uma forma diferente. Desde aquela época, em 2015, eu queria construir um site para poder escrever sobre meus sentimentos e sobre tudo o que eu pensava, mas achava que não era o momento e eu não me sentia preparada ainda. Vejo que hoje em dia posso retratá-las com muito mais clareza e compreensão.
Atualmente, resolvi procurar por Katie novamente para poder contar sobre sua história e um pouco da minha, ambas lidando com as mesmas doenças, depressão e ansiedade. Com as minhas buscas, descobri que ela aparenta estar bem melhor e até se casou! Ela também fez um novo blog e o seu objetivo agora é diferente. Ela busca repaginar sua vida e conta como faz isso passo a passo. Estou muito curiosa para ler sobre a sua nova etapa!
CONTINUA…
Infelizmente as pessoas subestimam o quanto esses problemas podem ser incapacitantes. Fazer o que se os monstros são discretos? Gostei particularmente das imagens 5 (prisão mental, a pior de todas) e sete (medo da vida e da morte). Refletem bem o que eu sentia(às vezes ainda sinto) nas crises.
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