
Muitas vezes, nosso desespero é fruto da incapacidade de entender as ações de Deus, portanto devemos superá-la para impedir que se torne uma realidade que nos controle. Deus deixa claro que obediência traz bênçãos e desobediência, disciplina. Habacuque não permitiu que seus sentimentos o paralisassem e, aos invés disso, decidiu agir e correr para Deus no mais profundo de sua angústia.
Não devemos interpretar o silêncio de Deus como inatividade, pois é através dele que Deus transforma o desespero em esperança. O silêncio de Deus se dá enquanto ele está ativo e agindo a favor de nós. O tempo que ficamos na sala de espera pode nos parecer desolador, mas ele significa que Deus está transformando o nosso interior. É no silêncio e na demora que Deus trabalha e prepara lago maravilhoso para nós ou por meio de nós, por isso devemos descansar e esperar.
A incompreensão dos processos de Deus não deve nos impedir de continuar olhando para o Senhor com confiança, pois é sempre melhor confiar nele do que em nossa sabedoria. O nosso estado de desespero se dá quando tentamos entender ou descobrir a causa, mas para Deus, qualquer tempo é sempre hoje, pois é através do processo de ajustar o nosso tempo ao dele que Deus trabalha nossa ansiedade e nos tira a vontade de querer controlar todas as coisas.
Ele é a rocha, e suas obras são perfeitas; tudo que ele faz é certo. É um Deus fiel, que nunca erra, é justo e verdadeiro (Dt 32:4).
Em momentos de solidão nas salas de espera Deus derrama a sua graça para nos tirar a impaciência e o sentimento de falsa demora do Senhor em responder as nossas orações. Devemos tirar o foco dos momentos de desespero e nos concentrar naquilo que Deus quer revelar a nós, pois o que mais precisamos não é receber o alívio para o medo ou a solução do problema, mas descobrir que Deus nos oferece a força para sobrevivermos enquanto esperamos. É aí que descobrimos que a nossa dor, o sentimento de abandono e o desespero de não saber as respostas podem ser transformados em esperança, afinal, Deus é soberano e tem o controle de todas as coisas.
Em silêncio diante de Deus, minha alma espera, pois dele vem minha vitória. Somente ele é minha rocha e minha salvação, minha fortaleza onde jamais serei abalado (Sl 62:1-2).
A diferença entre os caminhos que escolhemos é que eles sempre visam o nosso bem-estar e o não o nosso sofrimento, no entanto, os caminhos de Deus irão nos moldar e nos edificar, por isso eles serão mais doloroso, afinal, Deus quer que sejamos parecidos com Jesus, que também precisou sofrer para cumprir o seu propósito. Devemos entender que as coisas levam um tempo para acontecer para que se possa cumprir o plano preestabelecido por Deus para nós. Frequentemente temos pressa em tentar entender os caminhos de Deus e acabamos não entendendo como tudo coopera para o nosso bem, mesmo aquilo que nos gera dor, perda ou sofrimento.
E sabemos que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e que são chamados de acordo com o seu propósito. Pois Deus conheceu de antemão os seus e os predestinou para se tornarem semelhantes à imagem de seu Filho, a fim de que ele fosse o primeiro entre muitos irmãos. Depois de predestiná-los, ele os chamou, e depois de chamá-los, os declarou justos, e depois de declará-los justos, lhes deu sua glória (Rm 8:28-30).
A realidade é que consideramos a soberania de Deus boa apenas quando seus atos difíceis nos abençoam segundo nosso entendimento do que é benção e de quem é Deus. A soberania divina dá ao Senhor a liberdade de fazer a escolha que ele quiser sobre o que afeta ou não nossa vida. Ao exercer sua soberana vontade, Deus glorifica a si mesmo e, ao fazê-lo, não prejudica o ser humano, mesmo que aparentemente isso aconteça.
A soberania de Deus inclui disciplina, mas não para a nossa destruição, mas para a nossa restauração, afinal, Ele nos prometeu que estaria conosco e não nos abandonaria diante das circunstâncias que nos causam dor e sofrimento. O bem que Deus quer nos oferecer nem sempre virá de um alívio ou solução imediata, mas virá de algo que nos beneficiará. É assim que experimentamos o amor do Pai na sala de espera.
Deus nos dará todas as coisas: todas as circunstâncias e experiências e todos os recursos necessários para produzir em nós o caráter de Cristo. Ter a natureza de Jesus é o que nos satisfará. Nele ficaremos satisfeitos diante do inusitado, do desconhecido, do estranho, do impossível de ser vivenciado com recursos humanos. O Senhor sempre quer fazer além do que podemos pensar e imaginar, além do alívio para nossas dores. Deus quer nos chamar para algo mais profundo do que aquilo que estamos vendo e vivendo. Ele sempre fará algo maravilhoso, admirável.
Quando desenvolvemos a prática de esperar em Deus, essa disciplina destrói a nossa tendência imediatista de querer resolver as coisas na hora ou de ter o controle de tudo. É difícil esperar, mas é pior tentar ser como Deus. Esperar em Deus não é ser passivo, mas é ter a certeza de que Ele está em movimento, mesmo que pareça estar silencioso. Isso afasta a nossa ansiedade e nos torna pacientes, pois, em vez de focar o problema, focamos a pessoa de Deus.
Mesmo sem entender ou sofrendo, devemos nos entregar aos seus cuidados e esperar pelo que Ele irá nos dizer. É isso que torna o nosso tempo proveitoso durante a sala de espera, fazendo com que a nossa experiência com Deus seja significativa. Ver as circunstâncias por uma perspectiva divina implica ver que Deus está agindo no processo que estamos enfrentando.
Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, e mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam (I Co 2:9).
É no deserto e na longa solidão da sala de espera que nos tornamos quem Deus quer que sejamos. Tempo, paciência e esperança devem acompanhar o nosso processo, pois Deus nos trata naquilo que precisamos mudar para que avancemos até os planos que Ele preparou. Portanto, mesmo diante da catástrofe do caos, da ansiedade e do medo, devemos confiar que Deus proverá os recursos para vencermos e para que possamos sobreviver.
Em nosso tempo na sala de espera, percebemos como Deus nos leva do desespero à esperança e como a nossa fé é desenvolvida e fortalecida. Em meio à solidão, se focarmos o que Deus deseja produzir em nós, esvaziamos a ansiedade e crescemos em confiança enquanto aguardamos. A ansiedade não irá abreviar o nosso tempo de espera, por isso quando confiamos no processo, sentimos alívio ao enxergar as circunstâncias sob uma perspectiva divina.
Meus pensamentos são muito diferentes dos seus, diz o Senhor, e meus caminhos vão muito mais além de seus caminhos (Is 55:8).
No momento certo, Deus irá abrir a porta de saída da sala de espera para que sigamos um novo momento de vida e de descanso nele. Iremos enxergar que as nossas experiências com Deus produziram um crescimento espiritual sólido e sairemos mais fortalecidos. Também veremos que a paz e o descanso no meio do caos geraram confiança, afinal, uma mente cheia de Deus nos servirá de alimento para a nossa estadia na sala de espera. Quanto mais nos apropriamos da Palavra como formadora de pensamentos, mais forças encontraremos para enfrentar as salas de espera sem esmorecer.
O caminho do Senhor, no início tão sem sentido aos seus olhos, foi transformado em um caminho que apontava para bênçãos futuras. Quando Deus nos tira da sala de espera, com certeza a alegria maior não se torna a solução do problema que nos afligia anteriormente, mas ter descoberto o Deus que antes não conhecíamos tão intimamente! No que costuma pensar quando está na sala de espera? Será que você foca a demora de Deus em responder? Será que foca na ansiedade? O medo? Ou você se lembra do que a Palavra de Deus lhe diz?