
Desde pequena sempre tive muita identificação com a escrita. Eu escrevia sobre tudo, desde poesias, histórias de romance, pensamentos e até um jornal. A escrita sempre fluiu naturalmente para mim e a criatividade era uma grande aliada. Aos 9 anos de idade, em torno de 1998, me mudei de São Paulo para o Rio de Janeiro. Eu considero que, a partir dali, a minha trajetória de vida mudou bastante. Ao longo da minha infância e adolescência considero ter sido uma menina muito tímida e introvertida, sempre tendo que enfrentar algum tipo de conflito interno ou externo.
Em 2008 minha trajetória mudou novamente. A adaptação à mudanças sempre foi muito difícil para mim, ainda mais nas primeiras fases da vida. Retornei para São Paulo e concluí o Ensino Médio. Em 2009 ingressei para a faculdade de Direito e comecei a namorar. Em meados de 2013 para 2014 passei por um longo período de depressão que se estendeu por 4 anos. Foi nessa época que a crise existencial me abalou profundamente. Em 2015 me casei e fui morar fora do Brasil. Mais uma vez, minha vida havia mudado completamente de trajetória.
Em 2018 retornei ao Brasil e me mudei para o Rio de Janeiro de novo. Posso considerar que esse foi um dos top piores anos da minha vida. Ainda enfrentando a batalha contra a depressão, me veio a ideia de fazer um blog como uma forma de expressar tudo o que eu estava passando. Foi um período muito difícil para mim.
Em 2020 considero que eu já estava bem longe dos sintomas iniciais da depressão, apesar de ainda desenvolver ansiedade generalizada. Considero esse ano o segundo lugar do top piores anos da minha vida. Tudo se complicou de formas diferentes. Iniciou-se o período de pandemia e, próximo a datas festivas de comemoração do Natal e ano novo, me divorciei. Em 2021 voltei para São Paulo e tive que recomeçar do zero. Nesse ano também iniciei um novo relacionamento que terminou no ano seguinte.
O ano é 2022. Ufa! Minhas considerações finais baseadas em tudo o que eu vivi são: embora com muitas cicatrizes e traumas emocionais, acredito que todas as mudanças de trajetória, crises existenciais, depressão e ansiedade me serviram para criar novas descobertas e perspectivas sobre a vida, podendo me tornar uma pessoa melhor e mais forte. Hoje penso que sobrevivi a tudo isso, embora ainda conviva com a existência da tal ansiedade. Aprendi que sempre vai ter um novo recomeço, uma nova forma de seguir e uma nova força que se renova a cada dia. Aprendi que não posso me responsabilizar por coisas do passado porque antes eu não tinha a cabeça que eu tenho agora. Aprendi a ser grata pela minha caminhada e pelo longo processo que ainda se estabelece. Aprendi que posso começar do zero quantas vezes eu quiser.