
Augusto Cury é psiquiatra, psicoterapeuta, cientista e escritor. Ele é autor da teoria da inteligência multifocal, que estuda as habilidades socioemocionais, a formação do eu, os papéis da memória e a construção dos pensamentos. A gestão da emoção nos treina para conseguir substituir janelas traumáticas por janelas saudáveis, consistindo em renovar a esperança a cada crise, introduzir novas ideias a cada frustração e nos encher de sabedoria a cada lágrima.
A gestão da emoção treina o ser humano a não ser vítima de suas mazelas, e sim autor de sua própria história, mesmo que o mundo desabe sobre si.
Devemos reciclar o lixo da memória (pensamentos perturbadores, humor deprimido, timidez e insegurança) no exato momento em que ele aparece para aprender a gerir a emoção. Apenas somos verdadeiramente felizes e saudáveis quando protegemos a nossa mente e investimos na felicidade e no bem-estar dos outros. A felicidade é mais do que um estado de alegria, prazer e satisfação, ela precisa ser inteligente para ser sustentável. Viver dias tranquilos não significa evitar os erros, mas não se punir quando eles aparecerem.
Quem não exercita a autoconsciência vive a pior de todas as solidões, a solidão à qual ele mesmo se abandona. Caminha sem metas, fadiga-se sem propósito, navega sem direção no oceano da existência.
A autoconsciência nos faz entender quem somos, nossos pensamentos e emoções, bem como a natureza deles e quais são os fenômenos que os constroem. Faz perdermos o medo de sermos imperfeitos e nos coloca em estado contínuo de construção. Nos faz deixarmos de sermos frágeis e inseguros para fazer escolhas e assumir perdas. Ter metas claras prepara o caminho para ter foco e disciplina, nos ajuda a sabermos onde estamos e para aonde queremos chegar. Afasta nossos conflitos, crenças limitantes e traumas.
Ancorar a mente numa eterna mesmice asfixia a imaginação, amordaça a curiosidade, algema a capacidade de pensar em outras possibilidades, sepulta os mais belos projetos de vida.
A gestão da emoção nos leva a amar a tranquilidade, o prazer de viver e a saúde emocional de forma inteligente, nos encorajando para tempos de conflito, para preveni-los ou minimizá-los. A dor nos constrói ou nos destrói, nos liberta ou nos asfixia, nos encoraja ou nos inibe. Se não aprendermos a reciclar nossa emoção, a dor nos bloqueia e nos enclausura. Devemos usar o caos como uma oportunidade para pensar em possibilidades para nos reconstruir. O sábio tem consciência do quanto não sabe e, por ter consciência de suas limitações, ele sempre se recicla, explora e tem sede de melhorar, crescer e conhecer.
É preciso ter consciência de que o medo da dor expande a própria dor; o medo das crises promove um espetáculo de terror; o medo do fracasso paralisa o Eu como gestor da emoção; o medo do caos amordaça a capacidade de se reinventar.
A gestão da emoção valoriza o processo mais do que o ponto de chegada. Exalta mais o treinamento do que o resultado. Os sonhos não determinam o lugar aonde você quer chegar, mas proporcionam a força necessária para tirá-lo do lugar onde está. Ser um grande líder é renunciar à perfeição, transformar cada lágrima em uma vírgula para construir um novo texto, aproveitar cada dificuldade para se inspirar a se recuperar e a cada crise se motivar a escrever os capítulos mais inteligentes naqueles dias que gostaríamos de esquecer.