Autorais

O Desabrochar do meu Caos

Eu sinto cheiro de um lugar que nunca pisei, de um momento que eu nunca vivi e um anseio de estar. Sinto vontade de sensações que nunca tive, de um mundo que nunca alcancei. É uma ponte que une a imaginação e o irreal. Daqui eu enxergo meus medos e inseguranças que caem do penhasco e alcanço coragens absurdas. É uma linha tênue entre os sonhos e o fracasso, a ilusão e a loucura. Daqui tenho vontade de voar e sair de mim para poder trazer tudo aquilo que quero alcançar. É necessário rasgar o véu e romper com a dimensão que nos afasta e nos impede de nos conectar com nós mesmos.

Gosto do silêncio ensurdecedor da noite, de quando tudo se apaga e de quando posso fugir de mim mesma. Gosto do desabrochar do meu caos, dos pensamentos livres e da leveza com que a brisa bate na janela. Quase posso escutar o som do meu próprio coração na adrenalina de poder sentir o que é viver. Sinto que posso puxar todas as estrelas do céu com uma corda como se elas fossem sonhos. É árduo o trabalho de trazê-las para tão perto, algumas caem em cima de mim e outras se perdem na imensidão. Não quero descer daqui, prefiro o prazer da loucura do que o caos da lucidez.

É daqui de cima que o coração bate mais forte, é onde a dor não machuca, a esperança não se frustra e a paz nos deixa ser livre. Tenho medo de cair e não poder voltar mais. A vida lá embaixo não seria o suficiente para me encontrar. O delírio me fascina e o real me assusta. Aqui do alto posso criar mil versões de mim e mil facetas do mundo. Daqui de cima os medos são menores, a solidão é um conforto e a coragem é admirável. Os momentos derretem feito um picolé na borda das montanhas onde o sol nasce. Tocá-los faz sentir faísca nas pontas dos dedos e a felicidade se torna frágil. É como conseguir tê-la por um instante e, logo depois, deixá-la escapar por entre os dedos como areia do mar. Eu costumo visitá-los e depois respiro fundo abrindo um sorriso de despedida.

Deixe um comentário