
Eckhart Tole é um escritor e conferentista alemão. Aos 29 anos, depois de vários episódios depressivos, passou por uma profunda transformação espiritual, dissolveu sua antiga identidade e mudou o curso de sua vida de forma radical. Os anos seguintes foram dedicados ao entendimento, integração e aprofundamento desta transformação, que marcou o início de uma intensa jornada interior. Neste livro, ele relata as respostas obtidas através dessa busca, explicando que, quando nos alinhamos ao momento presente, uma nova percepção da realidade surge, muito mais pura, profunda e poderosa.
Você não é a sua mente. A denominação iluminação significa recuperar a consciência do Ser e percepção dos sentidos. É o fim do sofrimento e dos conflitos internos e externos e da escravidão dos pensamentos. A consciência significa presença do Ser, ou seja, o eu interior. É ouvir o pensamento e se tornar observador da mente. O pensamento perde o poder porque a mente não recebe mais a energia que gera a identificação com ela. Inicia-se um espaço de mente vazia, surgindo a serenidade, a paz interior e o nosso estado natural. Já a mente significa inconsciência, o ego. É a geradora de conflitos internos. Para o ego, o momento presente dificilmente existe e apenas o passado e o futuro se tornam importantes. O pensamento sozinho e desconectado da consciência se torna doentio e destrutivo.
O agora é a chave da libertação e só é percebido pela estado de consciência. O estado de mente vazia é a consciência sem o pensamento. Somente desse modo o pensamento tem força real para se tornar criativo. Quando você se torna observador, você não permite que a emoção assuma o controle. Tudo que está inconsciente é trazido à luz da consciência. O pensamento fornece energia para a emoção e um se alimenta do outro.
Uma das principais tarefas da mente é de combater ou eliminar o sofrimento. Ela só consegue encobri-lo por um certo tempo, pois mesma acaba sendo parte do problema. A mente nunca pode achar a solução, pois quanto mais ela tenta se livrar do sofrimento, mais ele aumenta. Todos os anseios nascem da busca da mente por salvação ou satisfação em coisas externas ou no futuro como substitutos da alegria do Ser. Se somos nossa mente, somos os anseios, as necessidades, os desejos, os apegos e as aversões. O prazer se origina de algo externo a nós e a alegria nasce do interior. A mesma coisa que proporciona prazer hoje provocará o sofrimento amanhã porque ele nos abandonará e essa ausência irá causar o sofrimento.
O amor, a alegria e a paz não conseguem florescer a menos que tenhamos nos livrado do domínio da mente. O amor verdadeiro não permite que você sofra, assim como a alegria verdadeira não se transforma em sofrimento. Porém, a sua mente pode lhe convencer de que lampejos de alegria autêntica, do amor verdadeiro ou da profunda paz interior são uma ilusão.
O momento presente é tudo o que se tem. A vida começa a trabalhar mais a nosso favor ao invés de contra nós. Aceite, depois aja. O sofrimento é a sombra projetada pelo ego que tem medo da luz da consciência. Se não o enfrentamos, absorvemos sua energia. A inconsciência cria o sofrimento e a consciência o transforma. Não se pode lutar contra o sofrimento, apenas observá-lo já é o bastante. A resistência deixará de existir ao ser observador e estar presente, iniciando a transformação.
Podemos sempre lidar com uma situação no momento em que ela se apresenta, mas não podemos lidar com algo que é apenas uma projeção mental. Não podemos lidar com o futuro. Uma vez que não estejamos mais identificados com a mente, não faz a menor diferença para o nosso eu interior estarmos certos ou errados.
O eu interior não se busca dentro da mente. Quando nos identificamos com ela geramos um falso eu interior e ficamos presos no tempo. Passamos a viver através da memória ou da antecipação, criando uma preocupação infinita com o passado e com o futuro, sendo uma relutância ao momento presente. O passado apenas nos dá uma identidade e o futuro apenas uma falsa promessa de salvação ou realização. Ambos são ilusões. Na ausência de tempo, todos os problemas se dissolvem. Imaginar o futuro é imaginar algo melhor ou pior do que o presente. Imaginar um futuro melhor nos traz esperança e antecipação de prazer. Imaginá-lo pior nos traz ansiedade. Devemos abandonar a identificação com o passado e a projeção no futuro usando apenas o tempo do relógio e não o tempo psicológico.
A negatividade é a negação do agora. Ela paralisa e bloqueia a mudança verdadeira, dando origem a mais sofrimento. A aceitação do agora evita a projeção de sentimentos ruins e criação de novas emoções negativas. Para sair de algo infeliz deve-se abandonar a situação, mudá-la ou aceitá-la. Para tomar qualquer uma dessas atitudes deve-se usar o discernimento. A preocupação existe, portanto não há como enfrentá-la, pois não se pode lutar contra algo que está no futuro e fora do agora. O esperar é um estado mental no qual implica desejar o futuro e abrir mão do presente. É como não querer o que se conseguiu e desejar aquilo que ainda não conseguiu. Quando estamos presentes nunca precisamos esperar.
Toda a negatividade é causada pelo acúmulo de tempo psicológico, negação do presente e falta de presença. Nossa situação de vida é a mente, nossa vida é a parte real. Ao respeitar o momento presente, toda luta e infelicidade se dissolvem e a vida começa a fluir com a alegria do Ser. Ao agirmos com a consciência do momento presente, tudo terá sentido. Não deve-se preocupar com o resultado da ação, apenas dar atenção em si e o resultado virá espontaneamente. Nem o fracasso e nem o sucesso têm o poder de alterar o estado interior do Ser. A negatividade ameaça a identidade, fazendo com que você sabote, negue ou ignore algo positivo. É apenas uma tentativa do ego de manipular e tentar controlar a realidade.
A salvação não está em lugar nenhum do tempo ou espaço, está aqui e agora. Enquanto você for sua mente, seu maior medo será o próprio despertar.
O nosso propósito interno está ligado a consciência do momento, já o propósito externo são os nossos objetivos. Apenas o presente pode nos livrar do passado e não o futuro. Uma quantidade maior de tempo não consegue nos livrar do tempo. Quando houver desafios, deve-se adotar o hábito de penetrar no eu interior, pois há mais inteligência no Ser do que na nossa mente. Quando é a mente que dirige nossa vida, surge os conflitos, lutas e problemas. A entrega é a atenção completa, removendo o tempo e a resistência. Nenhuma ação positiva pode surgir de um estado de consciência onde não exista a entrega. A resistência é a fraqueza e o medo disfarçadas de força, nos separando do Ser, sendo a única fonte de força verdadeira. A entrega não transforma aquilo que é diretamente, mas nos transforma por dentro.
Quando você estiver transformado, todo o mundo também se transforma como uma forma de reflexo. O sofrimento varia de acordo com o nosso grau de resistência ao momento atual. Quanto mais nos identificamos com as nossas mentes, mais sofremos. Quanto mais respeitamos e aceitamos o agora, mais nos libertamos da dor. A mente tende a funcionar e ficar no controle do tempo, associando a passado e futuro. Ela enxerga o agora como algo ameaçador. Deixamos de criar mais sofrimento quando paramos de criar mais tempo.
Você atrai e transmite aquilo que corresponde ao seu estado interior. Quando não existe caminho para fora, existe sempre um caminho através.