Espiritual, Livros

Até que Nada mais Importe – Luciano Subirá

Se tivéssemos um pouquinho mais de propósito, nos questionaríamos acerca daquilo que é mais importante. Para que existimos? Para que fomos criados? Quando entendemos o propósito de Deus para nossa vida, podemos focar nossa energia e dedicação no que é realmente importante e prioritário. O ser humano foi criado e estabelecido por Deus na terra com um único propósito: buscar a Deus. Se gastarmos dezesseis horas por dia em contato com coisas desta vida e apenas cinco minutos por dia em contato com Deus, será de admirar que as coisas desta vida sejam para nós duzentas vezes mais reais do que Deus?

Burcar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.

Jeremias 29:13

Não podemos olhar para Deus com o filtro de nossas limitações e motivações erradas. Ele é perfeito, nunca falha, nunca erra. A ação divina é equivalente à humana. A aproximação é mútua e proporcional. Isso é reciprocidade. E podemos, diante disso, afirmar que o Senhor se move dentro dessa lei da reciprocidade. Essa lei afeta a intensidade do nosso relacionamento com Deus e a dimensão das nossas conquistas nele, ainda que não afete o seu plano e propósito para nossa vida. Uma pequena semeadura produz uma colheita pequena. Uma grande semeadura produz uma colheita grande. Quem escolhe plantar é o homem e não Deus. Quem provocou a colheita foi o homem e não Deus. O criador apenas estabeleceu que é o homem que decide como vai usar a lei espiritual da reciprocidade.

Temos de separar aquilo que Deus é da forma que ele interagirá conosco. O nosso comportamento não muda o que Deus é. O nosso comportamento de infidelidade para com Ele não muda o caráter da fidelidade de Deus. O que estamos vivendo não é necessariamente a vontade de Deus, tampouco a revelação de quem Ele é. Trata-se apenas das consequências das nossas escolhas e atitudes. Aquele que não anda pela fé também é amado por Deus, porém não está agradando a Deus. Tanto o ser amado por Deus como o ser agradável a Deus estão relacionados com valor. Porém, um determina o nosso valor para Deus enquanto o outro determina o valor de Deus para nós. A falta de fé de nossa parte nos impede de viver a plenitude do que Deus tem para nós. O que nos molda não é aquilo a que nós dedicamos mais tempo, e sim o que exerce mais poder sobre nós. O anseio divino pela comunhão com o homem é inegável. Mas Deus espera que o nosso anseio por Ele também seja intenso.

Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.

Marcos 12:30

O vigor de nossa vida espiritual está na proporção exata do lugar que a Bíblia ocupa em nossa vida e em nossos pensamentos. O apetite da Palavra de Deus aumenta naqueles que se alimentam dela. As Escrituras nos ensinam a melhor maneira de viver, a mais nobre forma de sofrer e o modo mais confortável de morrer. Devemos voltar a buscar a Deus a cada novo dia. As respostas divinas às nossas orações são liberadas em cotas diárias. O que experimentamos dele num dia não elimina a necessidade de continuar a buscá-lo no dia seguinte. As “cotas” do que Deus nos disponibiliza são liberadas diariamente para que nós sempre voltemos à fonte.

Assim como a sabedoria de afiar o corte do machado para rachar lenhas torna o trabalho mais eficaz, também há recursos espirituais que tornam o nosso andar com Deus mais frutífero. Se o machado do lenhador está sem corte, ele tem de exercer muito mais força e energia em seu trabalho, consumindo mais do seu tempo. Mas, ao investir uma parte do seu tempo afiando o corte do machado, no fim ele economiza tempo e energia. A partir do momento em que a ferramenta adquire um corte melhor, será o corte que determinará o resultado, e não a força do golpe na lenha. O que precisamos aprender e provar na prática é que o tempo gasto com Deus é o machado sendo afiado.

A maior tragédia na vida não é a morte. É uma vida sem propósito. Qual é o grande valor da nossa vida? O que torna a vida significativa? O que faz dela algo pelo qual vale a pena se viver? É uma vida que agrada a Deus, que nos leva a experimentar o cumprimento do nosso propósito. Crer significa não somente reconhecer a existência de Deus, mas também obedecer à sua vontade e à sua Palavra. É necessário reconhecer que a ordem de Cristo sobre negar a si mesmo não é uma mera tentativa de nos privar de algo supostamente bom. Trata-se do princípio da obediência sendo cultivado através do exercício da única coisa que pode barrar nossa inclinação ao pecado: o domínio próprio. A nossa entrega se torna ganho (mais de Deus) e o ganho (tentativa de escapar disso) se torna perda (menos de Deus). Se desenvolvermos raízes profundas em Deus não fracassaremos na fé.

Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras (…)

Apocalipse 2:5

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